Marcio Relvas - CSCVL

MARCIO RELVAS

Nível: LENDA.

O COMANDANTE

Aos 16 anos o céu já chamava. O pai da FAB disse não. Ele obedeceu na engenharia…
mas vendeu escondido o gravador de rolo pra pagar o curso de voo livre com o Miguelê no verão de 80. Primeiro aluno dos 1.300. Primeiro a se entregar de vez.

Sem grana pra asa, vendeu o carro.
Comprou a Atlas 16 do Jarrão.
Em poucos meses na Bonita, foi com Vavado pra Mauá:
campeão do 1º torneio de Itatiaia.
Prêmio: um variômetro Litek. E a certeza de que era aquilo.

O título abriu porta: Ponto Frio bancou a Cometa, o sarcófago com o Edu do Cinto e o paraquedas.
82: final do 1º circuito BR em Niterói. Vaga no lendário C-115 Buffalo da FAB, articulado pelo Coronel Trompowsky.
83: campeão do Torneio Duque de Caxias em São Conrado. O nome já ecoava na rampa.

O sonho de linha aérea nunca largou.
Foi pro mercado financeiro, bancou as horas, pediu demissão e foi pra Guaratiguetá tirar as carteiras.
90: aprovado na VARIG. Boeing 737. O céu de outro jeito, mas o mesmo fogo.

97: convidado pro High Level.
Equipe La Mouette do Gérard Thevenot, voando a revolucionária TopLess.
Chegou entre os finalistas ao lado de Suchanek, Thevenot, Luizinho, Pedrão, Phil, Nader e Zé Gala.
98: promovido. 767. Depois MD-11. Base em LA, cruzando até o Japão.
Piloto de mundo, mas com a Bonita no peito.

Fim da VARIG, fim da linha aérea.
E tocou a Universidade do Chopp.

Anos 2000:
Nasceu a página First Class Hang Gliding.
Quando voou a Moyes Litespeed entendeu: era prazer puro. Sem compromisso, só performance.
Idas frequentes ao Cristo: o maior presente.

Hoje vive em Portugal.
Esteve no Rio e levou a filha num voo duplo — reencontro com o céu e com o que importa.
Mas não largou o esporte: a First Class virou mídia digital, divulgando pilotos, rampas e equipamentos.
Porque paixão de verdade não aposenta.

Vento no radar, comando na vida.
A asa delta sempre foi sua paixão — e ele jamais largou.

Guarda.