O MENINO DO VENTO, 48 ANOS NO CÉU.
O vento o escolheu em 1976. E nunca mais o largou.
Era só um menino com olhos grudados no céu. Olhava a rampa antiga como quem olha o portão do infinito. Depois veio a “nova”. Mas o sonho era o mesmo: virar vento.
São 48 anos ininterruptos com a alma pendurada no trapézio. Uma paixão pelo voo livre que não envelhece. Rejuvenesce a cada decolagem.
1981. O ano em que o menino decidiu virar lenda.
292 horas de céu. Cada rajada, cada térmica, cada corrida na rampa, anotada à mão. Diário de bordo escrito com caneta e alma, quando internet era ficção. Relíquia de um tempo em que voar já era postar no Instagram do céu.
Foi também o ano do primeiro voo de instrução profissional. A aluna: a belíssima Cristiane Torloni. A asa: Phoenix. O palco: Pedra Bonita. O destino se abriu ali, com São Conrado inteiro aos pés. Foi mais que voo. Foi amizade, para o seriado Amizade Colorida.
O Menino do Vento não cabia no contorno da praia. Virou um símbolo na época, quando pousou, ainda em pleno voo, nas páginas da Playboy. Mostrou que liberdade não se veste. Se voa.
Gui Gama cruzou oceanos. Em Bali, fez história. Pioneiro no sagrado Uluwatu Temple. Asa pedindo licença na rota dos deuses, sombra cortando penhasco, mar embaixo rugindo. Decolando em Bali, pousando na eternidade.
No Brasil, fez do céu um time. Campeão cross country por equipes em Atibaia, com Geraldo Nobre, Guto e Pepê Lopes. Porque lenda nenhuma voa sozinha. Céu dividido, glória compartilhada.
Em Porciúncula, escreveu o próprio nome no alto do pódio. Ganhou o campeonato com o vento na mão e a humildade no peito.
Hoje, o menino cresceu, mas o vento continua o mesmo. A paixão segue latente, viva, acesa no olhar. Trabalha fazendo o que ama. E é grato. Grato porque seus alunos sentem isso na pele. O menino virou um homem que continua abençoado pelo vento.
Guilherme Gama voa há 48 anos.
Continua sendo o “menino do vento” tendo o céu como seu endereço.
Guarda essa figurinha é rara é CSCVL, é ouro.
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